Sunday, April 8, 2007

_Cauma lá _ exclamou o Génio_ Estji conheço eu! Andou comigo no cursinho dxi lavores e bordaduis! Fujam fujam, sinão elhi vai-vuis obrigarr a ouvirr a história dxi como perrdeu a gata delhi numa noitxi dxi luarr _(quando o génio ficava nervoso falava com sotaque…)_ E izto não é nada purqui se elhi saka da guitarra estamuis feitos, meus amiguis aquilo ali é chumbo grosso _(linguado arregala os olhos ao ouvir a palavra grosso e caga para o resto do discurso)_djiguvuis eu!!! Morremuis toduis mais rápido do que se txivermuis metxido o didiz num frasco dji clorofórmio vixe maria!!! Fujamuis sorrateiramentxi que elhi nem dá por nois.
Mas tarde de mais, ele já se tinha apercebido da presença deles e dirigia-se num passo entorpecido, que eles conheciam bem, à poça de mijo que tinha sido derramada não por eles mas pelo medo.
_”Hey”_ disse o gato.
_”Hei”_ disse Dunga, sem se aperceber da terrível gaffe que oralmente cometia.
Gafe esta que tinha passado despercebida, não fosse uma moça de cabelos louros -serpenteantes com a brisa repleta de cheiros a incenso e outras substâncias voláteis de diversas proveniências - ter reparado e se ter chegado ao círculo que estranhamente se tinha formado como se de um ritual se tratasse.
_Mas será possível? _ indaga a moça, que se veio mais tarde (a partir de estudos epidemiológicos) a saber - como vamos descortinar daqui a nada - ser Rapunzel,que se tinha dedicado ao voluntariado já que o príncipe cada vez menos a visitava pois tinha sido uma fashion-victim dos cabelos curtos, novas tendências impostas por universos sordidamente capitalistas…avante camarada, avante tralalalalalalala_ que vocês não saibam ter um discurso coerente e sem erros “oraláficos”? Bem, isto era só a minha deixa para pegar no gato (fera ferida, triste tigresse) e leva-lo ao veterinário pois desconfia-se de uma intoxicação por cogumelos laminados (os piores) e devo pô-lo imediatamente em quarentena, o tempo urge amigos!!!_ o gato aproxima-se dela a correr (estranhamente a olhar para a zona peital desta princesa) com o pêlo a ondular ao vento, deixando para trás o triste cavalo que nesta altura estava deitado de lado não conseguindo pastar e estando portanto condenado a perecer de morte lenta e dolorosa… relinchando amargamente :
_ A puta do gato é mesmo esquecido… e depois de tantas noites escaldantes que tivemos juntos! Ele cavalgou-me como ninguém!
Os nossos valentes abandonaram então a cena do crime para não morrerem de depressão (embora Dunga gritasse, puxando pela manga do Génio “Ele é tão fofinho, podemos ficar com ele?!”, sendo obviamente ignorado).
_ Quem era esta bacana? _ perguntou o Génio, visivelmente incomodado com a choradeira da gatesse e com a impertinência da cabeludinha.
_ aiva, ena-casa pra vou._ respondeu Dunga, provando uma remela, decerto para lhe determinar a acidez, a casta e o ano de colheita.
_O quê?! _ exclamou o Génio, atónito_ A Rapunzel?! A famosa cabeleireira conhecidíssima por ter executado o penteado da Senhora do Panike que entra na telenovela da Estrelinha?
_ Não. _ diz uma voz vinda do chão, seguida por uma luz vermelha brilhante_ esta moça era apenas um produto da propaganda comunista que vos andam a meter pelos ouvidos adentro! Eu acho que vocês têm é que se filiar na JS, porque sem Santo Sócrates, nunca serão totalmente felizes!
_ O quê?! _ exclamou o Génio, atarantado, enquanto se deixava cair prostrado numa almofada de ar _ Estás a dizer que comida húmida é melhor que comida seca? Zero, que revelação bombástica é esta que atiras assim de chofre nas nossas vidas, nas nossas almas?
Zero retorquiu, enquanto era banhado por uma intensa luz dourada (cortesia de Deus, encomendada pela Pigzor).
_ Não se preocupem, amigos. Eu levo-os às donzelas sortidas da Cuétara. Elas são minhas amigas, minhas confidentes e ainda minhas empregadas domésticas.
_ O quê? O que é que é grosso e onde é que está? _ Linguado havia acordado para a vida e, como sempre, entrava a meio de uma conversa sem perceber um corno.


Vamos agora fazer um parêntesis de cariz filosófico-cognitivo, de modo a perceber se têm estado a ler com atenção. Quer-se dizer, se o atrasado do Dunga não se tivesse armada em super-homem português do sopeiral e atirado o pobre Zero ao rio, nada disto teria acontecido e os nossos heróis não teriam andado a perder o seu rico tempinho com estas trapalhadas, tendo já ajudado as donzelas sortidas da Cuétara e voltado para a frente dos seus computadores com uma cervejita ao lado e um pires de tremoços! Ou seja, há alguém neste elenco que atrasou tudo , mas a culpa, obviamente, não é dele mas do sistema. Adiante.

Seguem Zero num trote mais uma vez estranho enquanto Dunga murmurava qualquer coisa como “-aiva, -ena”
Chegam então a um edifício impune de tijolos vermelhos a cru com relva a sair por entre as frestas dos tijolos, com uma tabuleta de madeira “numero sete segundo” que era trespassada pelo instrumento de empalamento do tucano que tinha nele o tucano de brinde. Depois de soltar esta pobre criatura, sob a promessa de nunca mais andar sem um GPS, os nosso heróis dirigem-se à porta azul enferrujada com o coração a bater mais depressa a cada passo que davam dada à música que provinha do tal de número sete: “A minha palmeira é muito porreira eu sei, mas no meu deserto tu foste o oásis que achei....”. Avançavam a tremer em cima das pernas/barbatanas/apêndice semi-transparente não por estarem excitados, nervosos ou expectantes (porque tinham-se esquecido de tudo tal era o poder hipnótico da musica) mas porque precisavam cada um de sua dose de cafeína dada a exaustividade do dia.
Batem à porta e apercebem-se que não havia lá dentro concerto nenhum, mas sim três princesas a limpar o chão com uma aparelhagem no máximo. Com o baque, os heróis lembram-se do objectivo que lá os levou e perguntam por onde se dirigem para ir à chaminé. Estas três princesas, excitadíssimas com tremendo disparate, saem precipitadamente de casa, fechando-se na rua sem chave. É então que ,“des-chavadas”, eles reparam nelas; eram três e andavam aos pares o que vinha muito a calhar já que eles eram também três (excluindo o Zero que estava agora a galar uma pastora alemã que estava no quintal da vizinha). Uma era cigana, outra taliban e outra… bem acho que vão perceber o que era quando vos contar o comentário de um trolha do outro lado da rua “AH CANININHA!”. Ambas as três choravam desalmadamente e até já punham a hipótese de construir uma fisga para mandar a “caninhinha” pela janela a abrir a porta, se bem que tal não seria necessário pois o génio nasalante atravessava paredes. Mas não, nem sequer isto era necessário, a porta abre-se, aparece à porta uma matrona imponente de cabelo encuspinhado que fazia lembrar a Alice do País das maravilhas

embora tivesse rugas e saltos altos, e profere numa voz cavernosa e sotaque de Braga:
_Têm que ter mais cuidado!! Já vos disse que a música de manhã (16:50) ainda mais José Cid é um pouco inconveniente…
_Desculpa Alice_ disseram as três em coro, e logo começaram a produzir uma reunião da “tupperware” na mesa da cozinha com os garbosos mancebos, até sentirem que a vizinha de baixo, a Rainha de Copas, estava a espumar da boca e a falar hebraico… E como é que perceberam isto, perguntam vocês? Porque ouviram o marido ( o Rei de Copas, obviamente) a cantarolar “Qui tau nóis doiss numa banhêra dxi-xpumaaaa”.
Nisto, estavam todos os nossos heróis, heroínas e vítimas em amena cavaqueira, e eis se não quando entra o Zero pela cozinha adentro, destroçado, recalcado, traumatizado, repisado e ainda um pouco cuspido…
_ Que se passa, amigo?_ pergunta a princesa Esmeralda. _ Não me digas que tornaste a ler uma crónica do Ricardo Araújo Pereira a achincalhar o nosso Primeiro-ministro?
_ Não me digas _ tentou a princesa Jasmin

_ que tornaste a ver na televisão as crises do petróleo?
_ Calem-se! _ atalhou a princesa Polegarzinha.
_ Deixem o moço, quer dizer, o Zero contar o que se passou.
_ Ora, _ começou Zero, por entre soluços e fungadelas que ameaçavam nunca mais acabar não fosse alguém ter a brilhante ideia de lhe passar uma caixa de Kleenexes providencialmente colocados ali à mão _ não é que a pastora alemã era Nazi e tinha uma tatuagem nas costas com a cruz suástica? E mais, aquele pêlo todo não era demonstração de beleza canina mas um indício duma disfunção hormonal traduzida por um aumento exponencial dos níveis de testosterona!
_ Ohhhhh …. _ fizeram todos os presentes em coro (coro bonito esse para o qual tiveram que treinar duas semanas sob a direcção do maestro António Vitorino de Almeida.).

_ E mais! _ continuou o pobre _ Ela metia o cajado no rabo das ovelhas!
Enjoados com esta história, os nossos heróis resolvem que está na hora de olhar para a tal chaminé e dar corda aos sapatos, que está tudo a ficar muito estranho por aqueles lados e ainda por cima vai dar o Inter de Milão - Manchester United na TVI.
_ Chaminé? Foda-se! _revolta-se uma das princesas, para o caso tanto faz. _ A chaminé entupiu com o Pai Natal, mas entretanto liofilizámo-lo e está tudo resolvido, não precisamos de vocês.


Fiquem atentos pra o Capítulo III !

4 comments:

Anonymous said...

_ E mais! _ continuou o pobre _ Ela metia o cajado no rabo das ovelhas!

... eu tava a comer chocolate qdo li isto............

Eduardo Barroco de Melo said...

Essa pastora alemã não me parece ter disfunção nenhuma ;)

Esperamos ansiosamente pelo próximo Capítulo e que o Zero seja o herói desta história =D

Nia said...

ines as imagens ficaram brutais: es o chantilly de qualquer blog:)

Eduardo Barroco de Melo said...

E o capítulo III?